Pinguim-imperador
Aptenodytes forsteri Gray, 1844
Maior pinguim do planeta, o único que se reproduz durante o inverno antártico, sobre o gelo preso à costa, e que passou em 2026 à categoria Em perigo por causa do derretimento precoce desse gelo.
- ENEm perigo
- Aves
- Também chamada de pinguim-do-imperador
Descrição

O pinguim-imperador é a ave mais bem adaptada ao frio extremo que se conhece. Enquanto todas as outras espécies de pinguins se reproduzem na primavera ou no verão, ele põe o ovo no início do inverno do hemisfério sul e cria o filhote em plena escuridão, com temperaturas que despencam muito abaixo de zero e ventos fortes.
Por ser uma espécie ligada ao gelo marinho estável, é considerada uma sentinela do clima antártico. Em abril de 2026, a Lista Vermelha da IUCN passou a classificá-lo como Em perigo, mudança em relação à categoria anterior, quase ameaçada, justificada pela projeção de que a população se reduza à metade até a década de 2080.
Características físicas
É o maior de todos os pinguins vivos. O corpo é fusiforme, com dorso preto-azulado, barriga branca, manchas de um amarelo-alaranjado intenso na lateral do pescoço e bico longo ligeiramente curvo, com uma faixa rosada ou alaranjada na mandíbula inferior.
A camada espessa de gordura, as penas curtas e muito densas e a circulação de sangue ajustada nas nadadeiras e nos pés reduzem a perda de calor. Os machos são mais pesados que as fêmeas, e o peso de um mesmo indivíduo muda bastante ao longo do ano, porque ele passa meses jejuando durante a reprodução e a muda das penas.
| Comprimento | cerca de 110 a 120 cm |
|---|---|
| Peso do adulto | de cerca de 23 a 45 kg, conforme a época do ano |
| Peso do ovo | cerca de 460 a 470 g |
| Profundidade de mergulho | mais de 500 m em registros máximos |
| Duração de mergulho | até cerca de 20 minutos |
| Longevidade | cerca de 20 anos na natureza, em média |
Habitat
Vive exclusivamente na Antártica e nas águas geladas ao redor do continente, em geral entre as latitudes de 66° e 77° sul. As colônias se instalam sobre o gelo marinho preso à costa, ao fundo do mar ou a icebergs encalhados, chamado de gelo fixo, que permanece estável durante meses.
Esse tipo de gelo é essencial por dois motivos: serve de piso seguro para o ovo e para o filhote crescerem e, ao final da estação, de local para a troca anual das penas, período em que a ave não é impermeável e não pode entrar na água. Nas semanas de alimentação, os adultos se afastam das colônias por centenas de quilômetros em busca de água aberta e rica em presas.
Distribuição geográfica
A espécie se distribui em torno de todo o continente antártico, em colônias separadas por centenas de quilômetros de costa. Levantamentos recentes por imagens de satélite identificaram 66 colônias reprodutivas conhecidas em 2022, número que subiu à medida que a tecnologia permitiu detectar manchas de guano em locais remotos.
Cerca de um terço dos indivíduos conhecidos vive ao norte do Círculo Polar Antártico. A espécie não ocorre no Brasil nem em outras regiões fora do ambiente antártico.
Ocorrência registrada em: Antártica e Oceano Antártico.
Alimentação
A dieta é composta principalmente de peixes, entre os quais o peixe-prateado antártico, além de krill e lulas. Os mergulhos podem ultrapassar centenas de metros de profundidade e durar cerca de vinte minutos, resultado de adaptações que permitem armazenar oxigênio nos músculos e reduzir o ritmo do coração durante o mergulho.
Durante a reprodução, a alimentação é feita em turnos: a fêmea sai para o mar logo depois de pôr o ovo, e o macho jejua por mais de dois meses até que ela volte. Qualquer mudança na disponibilidade de presas perto da colônia, por exemplo, em razão do gelo ou das correntes, compromete esse revezamento.
Comportamento
É uma espécie gregária e se agrupa em colônias de milhares de indivíduos. Para enfrentar o frio, formam aglomerações densas, nas quais os pinguins trocam de lugar continuamente, de modo que quem está na borda gelada avança lentamente até o centro mais quente. Grupos que variam de dezenas a centenas de aves podem manter a temperatura no interior bem acima do ar externo.
Após a eclosão, os filhotes passam as primeiras semanas sobre os pés dos pais, protegidos por uma dobra de pele. Cerca de 45 a 50 dias depois, formam creches, em que muitos filhotes ficam juntos enquanto os adultos saem para buscar comida.
Reprodução
A fêmea põe um único ovo, em geral em maio ou início de junho, e o entrega ao macho, que o equilibra sobre os pés e o cobre com uma prega de pele. O macho o incuba por cerca de 65 a 75 dias, sem se alimentar, e pode perder até 20 kg ao longo dos quatro meses de viagem, corte e incubação.
Quando o ovo eclode, a fêmea volta do mar com alimento para o filhote e assume os cuidados, enquanto o macho vai se alimentar. O ciclo é cronometrado de modo que o filhote esteja pronto para ir à água no verão, quando o gelo já está recuando. É essa janela estreita que torna a espécie tão vulnerável: se o gelo de reprodução quebra antes de os filhotes terem penas impermeáveis, eles podem se afogar ou morrer de frio.
População estimada e tendência
Estimativa: da ordem de 250 mil a 280 mil casais reprodutivos, distribuídos em dezenas de colônias, segundo levantamentos por satélite
O número varia conforme o método e o ano de contagem, e as colônias são censuradas principalmente por imagens de satélite, o que gera incerteza. A IUCN indica perda de cerca de 10% da população entre 2009 e 2018, mais de 20 mil adultos, e projeta redução à metade até a década de 2080.
Tendência populacional: Decrescente — as estimativas indicam redução contínua no número de indivíduos.
Estado de conservação
Na avaliação global de risco de extinção, a espécie está classificada como Em perigo (EN). Risco muito alto de extinção na natureza a médio prazo.
Ver a definição completa da categoria em perigo e as demais espécies nessa situação.
Principais ameaças
Mudanças climáticas
A principal ameaça é o derretimento precoce do gelo marinho, que atingiu mínimos históricos desde 2016. Colônias inteiras perderam o chão antes de os filhotes saberem nadar, e os modelos projetam queda acentuada neste século se as emissões de gases de efeito estufa não forem reduzidas.
Sobrepesca e captura acidental
A pesca comercial de krill e de peixes antárticos pode competir com os pinguins por alimento nas áreas de forrageio, ainda que a espécie seja pouco afetada por captura acidental.
Poluição e resíduos
Contaminantes transportados pelo ar e pelas correntes e resíduos de navios e de estações científicas atingem a região, com efeitos ainda pouco quantificados sobre a espécie.
Importância ecológica
O pinguim-imperador ocupa uma posição elevada na teia alimentar do Oceano Antártico, consumindo grandes volumes de peixes, krill e lulas e servindo de alimento para focas-leopardo e aves marinhas predadoras. Sua dependência do gelo marinho faz dele um dos melhores indicadores biológicos da saúde do ecossistema polar.
As colônias ainda ajudam a movimentar nutrientes entre o mar e a terra: o guano deixado no gelo e no litoral fertiliza áreas que de outra forma teriam pouca matéria orgânica, além de ser detectável por satélite, o que permitiu monitorar a espécie em uma região quase inacessível.
Projetos de conservação
- Avaliação de risco da espécie pelo Grupo de Especialistas em Pinguins · IUCN SSC Penguin Specialist Group, com a BirdLife International
- Reuniu dados de contagens por satélite e modelos populacionais que embasaram a mudança para a categoria Em perigo em 2026 e que seguem orientando o monitoramento da espécie.
- Monitoramento das colônias por imagens de satélite · Pesquisadores de programas polares de diversos países
- Identifica manchas de guano no gelo para localizar colônias novas e acompanhar a variação do número de aves ao longo dos anos, método essencial em um ambiente de acesso muito difícil.
Como a espécie é protegida
O Sistema do Tratado Antártico regula todas as atividades humanas no continente. O Protocolo de Madri, em vigor desde 1998, proíbe a retirada ou a perturbação de aves nativas sem autorização e exige avaliação de impacto ambiental de qualquer atividade, o que garante proteção legal às colônias.
A conservação do pinguim-imperador depende menos de medidas locais do que de ação climática global, como afirmou o especialista Philip Trathan, do Grupo de Especialistas em Pinguins da IUCN, ao concluir que a mudança do clima provocada pelo ser humano é a maior ameaça à espécie. A criação de áreas marinhas protegidas e o controle da pesca de krill são medidas complementares em discussão internacional.
Curiosidades
- É o único pinguim que se reproduz durante o inverno antártico.
- O macho pode perder até 20 kg durante a incubação do ovo, sem comer.
- Já foram registrados mergulhos acima de 500 metros de profundidade.
- Colônias inteiras podem ser vistas do espaço, porque o guano mancha o gelo e aparece em imagens de satélite.
Fontes consultadas
- Emperor penguin and Antarctic fur seal now Endangered due to climate change. União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 2026. Consultar
- Emperors penguins and fur seals now endangered as climate change reshapes Antarctica. Down To Earth, 2026. Consultar
- Emperor penguin. Wikipedia. Consultar
Divergências entre avaliações, quando existem, estão indicadas no próprio texto. Consulte a metodologia para entender como as fontes são hierarquizadas.
Última revisão desta ficha: 20 de outubro de 2026
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