Fontes e metodologia
Nenhuma informação desta biblioteca é original: tudo vem de avaliações de risco, literatura científica e documentos oficiais. O que fazemos é reunir, organizar, traduzir para linguagem acessível e indicar a origem de cada dado.
As bases de referência
- União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)
- Mantém a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, referência global para categorias de risco. Cada avaliação traz justificativa técnica, distribuição, ameaças e tendência populacional, produzidas por grupos de especialistas por táxon. É a fonte primária das categorias apresentadas nas fichas.
- Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)
- Conduz a avaliação nacional do risco de extinção da fauna brasileira e publica o Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, além de coordenar os Planos de Ação Nacional para conservação de espécies. Fonte das classificações nacionais e das informações sobre programas em andamento no país.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
- Publica as portarias que oficializam a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, documento com efeito legal no Brasil.
- Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES)
- Define os anexos que regulam ou proíbem o comércio internacional de espécies. As fichas indicam o anexo aplicável quando existe, porque isso determina o regime legal do comércio.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
- Fonte da delimitação oficial dos biomas brasileiros e dos dados territoriais usados nas descrições de distribuição.
- Literatura científica revisada por pares
- Artigos e revisões sobre biologia, ecologia, densidade populacional e efeitos de ameaças específicas. São a fonte de detalhes de comportamento, reprodução e alimentação que não aparecem nas avaliações de risco.
- Universidades, institutos de pesquisa e programas de conservação
- Relatórios técnicos e dados de monitoramento de longa duração, usados quando a metodologia está descrita e os resultados são verificáveis.
- Organizações de conservação de alcance internacional
- Material como o do Fundo Mundial para a Natureza é usado para contexto e para descrição de projetos, nunca como única fonte de um dado numérico.
Como aplicamos as categorias de risco
As fichas reproduzem as categorias das avaliações oficiais e não criam classificação própria. Quando a avaliação global e a nacional divergem, ambas aparecem, com identificação de qual é qual — a diferença é esperada, porque a avaliação nacional considera apenas a parcela da população presente no país.
Também registramos a data da avaliação. Uma categoria atribuída há mais de dez anos merece leitura cautelosa: pode não refletir a situação atual, sobretudo em espécies sob pressão crescente. Sinalizamos essa defasagem quando ela é relevante.
Tratamento de incerteza
Estimativas populacionais de fauna silvestre trabalham com margens amplas, e isso não é falha metodológica: contar animais em floresta densa, no oceano ou em áreas remotas é intrinsecamente difícil. Nossa forma de lidar com isso tem três elementos.
- Quando existe estimativa com metodologia descrita, ela aparece com ano e fonte, em intervalo quando é assim que foi publicada.
- Quando existem apenas estimativas parciais, restritas a uma área de estudo, a ficha diz que o número se refere àquela área e não à população total.
- Quando não há levantamento suficiente, declaramos a ausência de estimativa confiável. Várias espécies desta biblioteca estão nessa situação, especialmente invertebrados, peixes de água doce e anfíbios de distribuição restrita.
O que consta em cada ficha
Ao final de toda ficha há a lista das fontes efetivamente consultadas para escrevê-la, com título, instituição, ano e endereço quando disponível publicamente. Isso permite conferir cada afirmação e seguir para o material original, que é sempre mais completo do que qualquer resumo.
A biblioteca reúne hoje 46 fichas, e cada uma indica a data da última revisão. Nossa recomendação para uso acadêmico é citar as fontes primárias, não esta biblioteca — o papel dela é ajudar a encontrá-las e a compreendê-las.
Instituições citadas nas fichas atuais
- ACAP
- AMLD
- Atlantic States Marine Fisheries Commission
- CIRVA
- CITES
- Comissão Baleeira Internacional
- Conselho Internacional para a Exploração do Mar
- Department of Conservation — Nova Zelândia
- Fundação Pró-Tamar
- ICAS
- ICMBio
- IPÊ
- IUCN SSC Amphibian Specialist Group
- Ministério do Meio Ambiente
- PLOS ONE
- U.S. Fish and Wildlife Service
- UNESCO World Heritage Centre
- União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)
- World Wide Fund for Nature
Limitações que reconhecemos
Esta é uma obra de compilação, sujeita a três limitações que preferimos declarar. A cobertura é desigual: grupos bem estudados, como aves e grandes mamíferos, têm fichas mais completas que invertebrados e peixes, refletindo a distribuição do próprio conhecimento científico. O material está sempre defasado em relação à pesquisa mais recente, porque revisão leva tempo. E toda seleção de informação envolve escolha editorial, por mais criteriosa que seja.