Política editorial
Este documento descreve como o conteúdo da biblioteca é escolhido, produzido, verificado e atualizado. Ele existe para que qualquer leitor possa avaliar a confiabilidade do material sem depender de confiança prévia.
Como as espécies são selecionadas
A fila de produção segue quatro critérios, nesta ordem: espécies ameaçadas endêmicas do Brasil, porque a responsabilidade pela sobrevivência delas é exclusivamente nacional; espécies ameaçadas com ocorrência no Brasil; espécies de outras regiões que ilustram processos de extinção relevantes e pouco compreendidos; e espécies frequentemente procuradas cujas informações disponíveis circulam com erros.
Também incluímos deliberadamente algumas espécies extintas e extintas na natureza. Elas não são curiosidade histórica: mostram o desfecho de processos que continuam em andamento com outras espécies e ajudam a dimensionar o que está em jogo.
Hierarquia de fontes
Nem toda fonte tem o mesmo peso. A ordem de prioridade adotada é:
- Avaliações de risco de extinção publicadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza, incluindo a justificativa técnica de cada categoria.
- Avaliações nacionais oficiais, no caso brasileiro conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e publicadas pelo Ministério do Meio Ambiente.
- Artigos científicos revisados por pares, com preferência por revisões e por estudos de longa duração sobre a mesma população.
- Documentos de convenções internacionais aplicáveis, como a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção.
- Relatórios técnicos de instituições de pesquisa, universidades, órgãos ambientais e programas de conservação com metodologia descrita.
- Material de divulgação de organizações de conservação reconhecidas, usado para contexto e nunca como única fonte de um dado numérico.
Reportagens jornalísticas não são usadas como fonte de dados. Podem, no máximo, apontar o caminho até um estudo ou documento oficial, que passa a ser a fonte citada.
Tratamento de números e estimativas
Estimativas populacionais são o ponto mais delicado deste tipo de conteúdo. Adotamos três regras rígidas.
Primeira: nenhum número é publicado sem fonte identificável e sem o ano em que foi produzido. Uma estimativa de 2008 e uma de 2023 não são intercambiáveis.
Segunda: quando não existe levantamento de abrangência suficiente, a ficha declara que não há estimativa confiável. Preferimos a ausência de número à repetição de um valor sem respaldo, prática comum e uma das principais fontes de desinformação sobre fauna.
Terceira: quando as fontes divergem, apresentamos o intervalo e explicamos a razão da divergência — diferença de método, de área amostrada ou de período. Não escolhemos um valor por conveniência narrativa.
Estrutura padrão das fichas
Todas as fichas seguem a mesma sequência: descrição, características físicas, habitat, distribuição geográfica, alimentação, comportamento, reprodução, população e tendência, estado de conservação, principais ameaças, importância ecológica, projetos de conservação, proteção legal, curiosidades e fontes consultadas. A padronização permite comparar espécies e evita que uma ficha pareça mais completa apenas por ter sido melhor organizada.
Nomes científicos seguem a grafia e a autoria aceitas nas avaliações de risco vigentes. Quando há revisão taxonômica recente que altera gênero ou eleva subespécie a espécie, registramos a mudança e a nomenclatura anterior, já que boa parte da literatura ainda usa o nome antigo.
Revisão antes da publicação
Toda ficha passa por revisão independente de quem a escreveu, com conferência de nomenclatura, classificação, distribuição, categoria de conservação e correspondência entre cada afirmação e a fonte citada. Detalhes da divisão de trabalho estão na página de autores e revisores.
Ciclo de atualização
Cada ficha exibe a data da última revisão. Uma revisão é disparada por qualquer um destes eventos: nova avaliação de risco para a espécie; publicação de levantamento populacional relevante; mudança na legislação de proteção ou na inclusão em convenções internacionais; criação, ampliação ou extinção de área protegida decisiva para a espécie; erro apontado por leitor ou especialista. Independentemente disso, toda a base passa por verificação periódica de categorias de conservação.
Correções
Erros são inevitáveis em qualquer trabalho de compilação, e a resposta a eles é o que diferencia material confiável de material descuidado. O procedimento completo está na política de correções.
Independência e ausência de conflito de interesse
O conteúdo é produzido sem interferência de terceiros. Nenhuma organização citada como fonte tem participação editorial. Caso venha a existir qualquer forma de patrocínio, parceria ou apoio financeiro, isso será informado de maneira visível, e nenhuma dessas relações poderá alterar a avaliação de risco apresentada nem suprimir a menção a uma ameaça.
Uso de material de terceiros
Os textos são de produção própria. As composições gráficas que acompanham as fichas são criações autorais e não retratam indivíduos específicos: representam o ambiente e o grupo ao qual a espécie pertence, sem qualquer pretensão de identificação visual da espécie. Dados provenientes de terceiros são sempre citados com indicação de origem.