A avaliação global é conduzida pela União Internacional para a Conservação da Natureza,
que mantém a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas com base em avaliações feitas por grupos
de especialistas. As três categorias de ameaça propriamente ditas são vulnerável,
em perigo e criticamente em perigo. Antes delas há um
alerta antecipado, quase ameaçada, e acima delas as duas situações de
desaparecimento: extinta na natureza e extinta.
No Brasil, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade aplica os mesmos
critérios à parcela da população que ocorre em território nacional, e o resultado é publicado
nas listas oficiais do Ministério do Meio Ambiente. Por isso uma espécie pode ser considerada
pouco preocupante no mundo e estar ameaçada no Brasil, ou o contrário. Sempre que a diferença
existir, a ficha da espécie apresenta as duas classificações.
Uma observação importante sobre leitura de dados: mudança de categoria não significa
necessariamente mudança na situação da espécie. Ela pode refletir simplesmente melhora no
conhecimento disponível, com levantamentos mais completos revelando um quadro diferente do
que se supunha.
EXExtinta Extinta
Não há dúvida razoável de que o último indivíduo da espécie morreu.
Uma espécie é declarada extinta quando levantamentos exaustivos em todo o seu habitat conhecido ou esperado, realizados em épocas apropriadas do ano e ao longo de um período compatível com o ciclo de vida da espécie, não registram nenhum indivíduo. O reconhecimento formal da extinção costuma vir décadas depois do último registro confirmado, justamente porque é preciso descartar a possibilidade de que ainda existam populações não detectadas.
A extinção é irreversível. Espécies nessa categoria permanecem na biblioteca porque documentam o resultado final de processos que continuam em curso com outras espécies.
EWExtinta na natureza Extinta na natureza
Sobrevive apenas em cativeiro ou em populações reintroduzidas fora da área de distribuição original.
A categoria reúne espécies cujos indivíduos existem somente sob cuidados humanos — criadouros, zoológicos e centros de reprodução — sem nenhuma população autossustentável em vida livre. É uma situação intermediária e instável: sem programa de reprodução bem-sucedido, o passo seguinte é a extinção; com reintrodução consolidada, a espécie pode voltar a categorias de ameaça menos severas.
A recuperação depende de manter diversidade genética suficiente no plantel cativo e de resolver, no habitat original, a causa que levou ao desaparecimento.
CRCriticamente em perigo Criticamente em perigo
Risco extremamente alto de extinção na natureza em futuro imediato.
É a categoria de ameaça mais severa para espécies que ainda ocorrem em vida livre. Uma espécie entra nela quando atende a pelo menos um critério bastante restritivo, como redução populacional de 80% ou mais em dez anos ou três gerações (90% quando as causas cessaram e são reversíveis), distribuição inferior a 100 km² de extensão de ocorrência, população estimada em menos de 250 indivíduos maduros ou probabilidade de extinção superior a 50% em dez anos.
Espécies criticamente em perigo geralmente exigem intervenção direta e imediata: proteção de cada núcleo populacional remanescente, manejo em campo e, em alguns casos, reprodução em cativeiro como garantia.
ENEm perigo Em perigo
Risco muito alto de extinção na natureza a médio prazo.
Categoria aplicada quando a espécie apresenta, por exemplo, redução populacional de 50% ou mais em dez anos ou três gerações (70% quando as causas são conhecidas e reversíveis), extensão de ocorrência inferior a 5.000 km², menos de 2.500 indivíduos maduros em declínio contínuo ou probabilidade de extinção de pelo menos 20% em vinte anos.
Nesse patamar, a espécie ainda mantém populações viáveis, e ações de proteção de habitat e combate às causas de mortalidade têm boa chance de reverter a tendência.
VUVulnerável Vulnerável
Risco alto de extinção na natureza no longo prazo.
É a categoria de ameaça menos severa, mas já indica situação preocupante. Entram nela espécies com redução populacional de 30% ou mais em dez anos ou três gerações (50% quando as causas cessaram e são reversíveis), extensão de ocorrência inferior a 20.000 km², população abaixo de 10.000 indivíduos maduros em declínio ou probabilidade de extinção de pelo menos 10% em cem anos.
Espécies vulneráveis costumam responder bem a medidas preventivas, como criação de áreas protegidas e redução da mortalidade por causas humanas, antes que o quadro se agrave.
NTQuase ameaçada Quase ameaçada
Não atende hoje aos critérios de ameaça, mas está perto disso.
A categoria sinaliza espécies que passaram pela avaliação sem preencher os limites de vulnerável, em perigo ou criticamente em perigo, porém estão próximas de preenchê-los ou provavelmente os atenderão em futuro próximo caso as pressões atuais continuem. Funciona como alerta antecipado.
É o melhor momento para agir: as populações ainda são grandes e as medidas necessárias são, em geral, menos custosas do que a recuperação de uma espécie já ameaçada.
LCPouco preocupante Pouco preocupante
Espécie avaliada e considerada fora de risco no momento.
Reúne espécies abundantes e de ampla distribuição, que foram avaliadas e não se aproximam dos critérios de ameaça. É importante notar que a categoria descreve a situação global da espécie: uma espécie pouco preocupante no mundo pode estar ameaçada em determinado país ou estado, e o Brasil mantém listas nacionais e estaduais próprias exatamente por isso.
Classificação favorável não significa ausência de monitoramento. Espécies antes abundantes já entraram em declínio rápido quando novas pressões surgiram.
DDDados insuficientes Dados insuficientes
As informações disponíveis não permitem avaliar o risco de extinção.
A categoria indica lacuna de conhecimento, e não segurança. É atribuída quando faltam dados confiáveis sobre distribuição, abundância ou tendência populacional para aplicar os critérios de risco. Boa parte das espécies nessa condição vive em ambientes de difícil acesso, como o oceano profundo e o interior de grandes bacias hidrográficas, ou pertence a grupos pouco estudados, como invertebrados.
Espécies com dados insuficientes exigem pesquisa prioritária. Quando finalmente avaliadas, muitas acabam classificadas em alguma categoria de ameaça.
Nenhuma espécie da biblioteca está nesta categoria no momento.