A
Área de ocupação
Soma das áreas efetivamente habitadas por uma espécie dentro da sua região de distribuição. É sempre menor que a extensão de ocorrência, porque exclui os vazios: trechos sem habitat adequado, áreas convertidas e locais onde a espécie desapareceu.
Uma ave que vive apenas em topos de serra pode ter distribuição de centenas de quilômetros de comprimento, mas área de ocupação de poucas dezenas de quilômetros quadrados.
Ver também:
Extensão de ocorrência.
B
Bioma
Conjunto de ambientes com clima, vegetação, solo e fauna característicos, que se repete em grandes extensões. A divisão oficial brasileira reconhece Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa, além da zona costeira e marinha.
Ver também:
Habitat.
C
Captura acidental
Morte ou ferimento de animais capturados por petrechos de pesca dirigidos a outras espécies. É a principal causa de mortalidade de tartarugas marinhas, pequenos cetáceos e albatrozes, e acontece principalmente em redes de emalhe, espinhéis e redes de arrasto.
Também aparece na literatura pelo termo em inglês, bycatch.
Ver também:
Sobrepesca, Defeso.
CITES
Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção, acordo firmado em 1973 que regula o comércio internacional de espécies ameaçadas. Organiza as espécies em anexos: o Anexo I proíbe o comércio com finalidade comercial, o Anexo II o permite sob controle e licenciamento, e o Anexo III cobre espécies protegidas por um país específico que solicita cooperação internacional.
Ver também:
Tráfico de animais silvestres.
Conservação ex situ
Conservação realizada fora do ambiente natural, em zoológicos, criadouros, aquários, bancos de germoplasma e centros de reprodução. Funciona como garantia contra a extinção total e como fonte de indivíduos para reintrodução, mas não substitui a proteção do habitat.
Ver também:
Conservação in situ, Reintrodução.
Conservação in situ
Conservação da espécie no próprio ambiente onde ela ocorre naturalmente, por meio da proteção do habitat, do controle das causas de mortalidade e do manejo da área. É a forma preferencial, porque preserva também as interações ecológicas e o comportamento natural da espécie.
Ver também:
Conservação ex situ, Unidade de conservação.
Corredor ecológico
Faixa de vegetação que liga fragmentos de habitat isolados, permitindo que animais se deslocem entre eles. Restabelece o fluxo de indivíduos e de genes entre populações que estavam separadas, reduzindo os efeitos da fragmentação.
Ver também:
Fragmentação, Diversidade genética.
D
Defeso
Período em que a pesca de determinada espécie é proibida ou restringida, definido para coincidir com a época de reprodução. Permite que os indivíduos desovem antes de ficarem expostos à captura.
Ver também:
Sobrepesca.
Depressão endogâmica
Perda de vigor, fertilidade e resistência que ocorre quando indivíduos muito próximos geneticamente se reproduzem entre si por várias gerações. Manifesta-se em menor sobrevivência de filhotes, malformações e maior suscetibilidade a doenças.
Ver também:
Diversidade genética.
Dispersão de sementes
Transporte de sementes para longe da planta-mãe, em grande parte realizado por animais que comem frutos e eliminam as sementes intactas. Nas florestas tropicais, a maioria das espécies de árvores depende de animais para se reproduzir, e a perda de frugívoros de grande porte reduz a regeneração da floresta.
Ver também:
Extinção funcional, Espécie-chave.
Diversidade genética
Variedade de versões dos genes presentes em uma população. Quanto maior, maior a chance de que alguns indivíduos resistam a doenças, mudanças de clima e outras pressões. Populações pequenas e isoladas perdem diversidade genética rapidamente.
Ver também:
Depressão endogâmica, População mínima viável.
Dívida de extinção
Extinções que ainda vão acontecer como consequência de destruição de habitat já ocorrida. Depois que uma área é fragmentada, as populações remanescentes podem levar décadas para desaparecer, de modo que o número atual de espécies em um fragmento superestima quantas conseguirão persistir.
Ver também:
Fragmentação, Extinção local.
E
Efeito de borda
Conjunto de alterações que ocorre nas margens de um fragmento de vegetação: mais luz, mais vento, menos umidade, temperatura mais alta e maior entrada de espécies invasoras. Fragmentos pequenos podem ser inteiramente compostos de borda, sem oferecer as condições do interior da floresta.
Ver também:
Fragmentação.
Endemismo
Condição de uma espécie que ocorre naturalmente apenas em determinada região e em nenhum outro lugar do mundo. Espécies endêmicas são mais vulneráveis, porque toda a população mundial está sujeita às mesmas pressões, e sua conservação é responsabilidade exclusiva do território onde vivem.
O soldadinho-do-araripe é endêmico de uma pequena área da Chapada do Araripe, no Ceará.
Espécie-bandeira
Espécie carismática usada para mobilizar apoio público e recursos para a conservação de uma região. Não é um conceito ecológico, mas de comunicação: a proteção conquistada em nome dela beneficia todo o ambiente em que vive.
Ver também:
Espécie-guarda-chuva.
Espécie-chave
Espécie cuja presença sustenta a estrutura da comunidade em que vive, de forma desproporcional à sua abundância. Quando desaparece, a teia de interações se reorganiza e outras espécies podem desaparecer em cadeia.
Grandes frugívoros que dispersam sementes de árvores de sementes grandes cumprem esse papel em florestas tropicais.
Ver também:
Extinção funcional, Dispersão de sementes.
Espécie exótica invasora
Espécie introduzida fora de sua área natural de distribuição que se estabelece, se multiplica e causa dano à fauna e à flora nativas, por predação, competição, transmissão de doenças ou alteração do ambiente.
Ratos e gatos introduzidos em ilhas oceânicas causaram parcela expressiva das extinções de aves já documentadas.
Espécie-guarda-chuva
Espécie que exige áreas naturais muito extensas e em bom estado, de modo que proteger o território necessário à sua sobrevivência abriga, ao mesmo tempo, milhares de outras espécies que dividem o mesmo ambiente.
Grandes predadores, como a onça-pintada, e grandes herbívoros, como a anta, funcionam como espécies-guarda-chuva.
Ver também:
Espécie-bandeira, Unidade de conservação.
Extensão de ocorrência
Área delimitada pelo contorno mais externo que engloba todos os registros conhecidos de uma espécie. Inclui vazios internos, como cidades, áreas convertidas e ambientes inadequados, e por isso é sempre maior que a área de ocupação.
Ver também:
Área de ocupação.
Extinção funcional
Situação em que a espécie ainda existe, mas em número tão reduzido que já não cumpre seu papel ecológico. A floresta pode conter alguns indivíduos de um grande frugívoro e, ainda assim, deixar de ter suas sementes dispersadas na escala necessária.
Ver também:
Espécie-chave, Dispersão de sementes.
Extinção local
Desaparecimento de uma espécie de determinada região, enquanto ela continua existindo em outros lugares. Também chamada de extirpação. É frequentemente o primeiro estágio de um processo mais amplo de declínio.
Ver também:
Dívida de extinção.
F
Fragmentação
Divisão de uma área natural contínua em manchas isoladas, separadas por lavouras, pastagens, estradas ou áreas urbanas. Reduz o tamanho das populações, impede o deslocamento entre elas e aumenta a vulnerabilidade a eventos extremos.
Ver também:
Efeito de borda, Corredor ecológico, Dívida de extinção.
G
Geração
Nos critérios de avaliação de risco, é a idade média das fêmeas reprodutoras de uma população. Serve para padronizar prazos entre espécies muito diferentes: uma redução medida em três gerações significa cerca de dez anos em um roedor e mais de um século em uma tartaruga marinha.
Ver também:
Tendência populacional.
H
Habitat
Ambiente em que uma espécie encontra alimento, abrigo e condições para se reproduzir. Uma espécie pode ocupar habitats diferentes em fases distintas da vida, como peixes que se reproduzem em água doce e crescem no mar.
Ver também:
Bioma, Nicho ecológico.
I
Indivíduo maduro
Indivíduo capaz de se reproduzir. As avaliações de risco contam apenas indivíduos maduros, porque são eles que determinam a capacidade de reposição da população; filhotes e jovens não entram no cálculo.
Ver também:
População mínima viável.
L
Lista Vermelha
Inventário global do risco de extinção de espécies, mantido pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Reúne avaliações produzidas por grupos de especialistas e é a referência internacional para as categorias de conservação.
Ver também:
Livro Vermelho.
Livro Vermelho
No Brasil, publicação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade que reúne as avaliações nacionais de risco de extinção da fauna, com diagnóstico por espécie. Fundamenta a lista oficial de espécies ameaçadas publicada pelo Ministério do Meio Ambiente.
Ver também:
Lista Vermelha, Plano de Ação Nacional.
M
Manejo integrado do fogo
Estratégia que usa queimas controladas, em época e intensidade adequadas, para reduzir o acúmulo de material combustível e evitar incêndios de grande porte. É aplicada em ambientes naturalmente adaptados ao fogo, como o Cerrado, e considera o refúgio da fauna no planejamento.
Ver também:
Bioma.
N
Nicho ecológico
Conjunto de condições ambientais e de recursos que uma espécie utiliza, incluindo alimento, temperatura, horário de atividade e posição na cadeia alimentar. Espécies de nicho estreito, muito especializadas, têm menos alternativas quando o ambiente muda.
Ver também:
Habitat.
P
Plano de Ação Nacional
Instrumento oficial brasileiro que organiza a conservação de um conjunto de espécies ameaçadas, com metas, prazos, responsáveis e ações definidas de forma participativa. Coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Ver também:
Livro Vermelho.
População mínima viável
Número estimado de indivíduos necessário para que uma população tenha alta probabilidade de persistir por longo prazo, resistindo a variações ambientais, doenças e perda de diversidade genética. Varia muito conforme a biologia da espécie.
Ver também:
Diversidade genética, Indivíduo maduro.
Q
Quitridiomicose
Doença causada pelos fungos Batrachochytrium dendrobatidis e Batrachochytrium salamandrivorans, que atacam a pele de anfíbios e comprometem as trocas de água e sais minerais. Disseminada globalmente pelo transporte de animais, provocou declínios acentuados e extinções em dezenas de espécies.
Ver também:
Espécie exótica invasora.
R
Reintrodução
Soltura planejada de indivíduos em área da qual a espécie havia desaparecido, com o objetivo de restabelecer uma população em vida livre. Exige que a causa do desaparecimento original tenha sido resolvida, além de preparo dos animais e monitoramento pós-soltura por vários anos.
Distingue-se da translocação, que consiste em transferir indivíduos entre populações existentes.
Ver também:
Conservação ex situ, Translocação.
Reserva Legal
Percentual da propriedade rural que deve permanecer com vegetação nativa, conforme a legislação florestal brasileira, variando segundo a região do país. É diferente da Área de Preservação Permanente, que protege margens de rios, topos de morro e encostas independentemente do tamanho do imóvel.
Ver também:
Unidade de conservação.
S
Sobrepesca
Retirada de peixes em quantidade superior à capacidade de reposição do estoque. Espécies de crescimento lento e maturidade tardia, como tubarões e grandes peixes de recife, são as mais afetadas, porque não repõem o que a pesca remove.
Ver também:
Captura acidental, Defeso.
T
Táxon
Qualquer unidade da classificação biológica, como espécie, gênero, família ou ordem. Usa-se o termo quando a afirmação vale para diferentes níveis de classificação ao mesmo tempo.
Ver também:
Endemismo.
Tendência populacional
Direção da mudança no número de indivíduos ao longo do tempo: crescente, estável, decrescente ou desconhecida. É frequentemente mais informativa que o número absoluto, porque uma população grande em queda acelerada pode estar em situação mais grave que uma população pequena e estável.
Ver também:
Geração.
Tráfico de animais silvestres
Captura, transporte e comércio ilegal de animais retirados da natureza, destinados sobretudo ao mercado de animais de estimação e de coleções. A mortalidade durante a captura e o transporte é muito alta, e o valor mais elevado das espécies raras aumenta a pressão exatamente sobre as mais ameaçadas.
Ver também:
CITES.
Translocação
Transferência intencional de indivíduos de uma população para outra, ou para uma área nova, com finalidade de conservação. Usada para reforçar populações pequenas, restaurar diversidade genética ou reduzir conflitos com atividades humanas.
Ver também:
Reintrodução.
U
Unidade de conservação
Área legalmente protegida com objetivos definidos de conservação. No Brasil, dividem-se em proteção integral, que admite apenas uso indireto dos recursos, como parques nacionais e estações ecológicas, e uso sustentável, que permite uso compatível com a conservação, como reservas extrativistas e áreas de proteção ambiental.
Ver também:
Conservação in situ, Reserva Legal.