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Biblioteca de consulta sobre espécies ameaçadas de extinção

Base revisada em 20 de outubro de 2026

Taxfluxo Espécies ameaçadas

Pangolim-chinês

Manis pentadactyla Linnaeus, 1758

Mamífero coberto de escamas e especializado em formigas e cupins, que perdeu mais de 80% da população em duas décadas por causa da caça e do comércio de carne e escamas.

Descrição

O pangolim-chinês é um dos poucos mamíferos cobertos por escamas rígidas de queratina, a mesma substância das unhas humanas. Quando ameaçado, enrola-se em bola, estratégia eficaz contra predadores naturais, mas inútil diante de caçadores, que simplesmente recolhem o animal enrolado.

A espécie habita florestas e campos do sul e sudeste da Ásia, do Nepal ao sul da China, e é noturna, solitária e muito difícil de observar. Por isso, estimar quantos indivíduos existem é tarefa quase impossível, e os especialistas recorrem a registros de captura, apreensões e relatos de moradores para avaliar a tendência.

O quadro é grave. A lista vermelha global o classifica como criticamente em perigo, com redução de mais de 80% da população em três gerações, cerca de 21 anos, causada principalmente por caça para consumo de carne e uso das escamas em práticas tradicionais. Em regiões inteiras da China, onde era comum, o animal praticamente desapareceu.

Características físicas

O corpo, a cauda e o dorso são cobertos por escamas sobrepostas, castanho-escuras, enquanto o ventre, a face e as patas ficam com pelos esparsos. A cabeça é pequena e cônica, a língua é longa e pegajosa, e não há dentes. As patas dianteiras têm garras fortes, usadas para abrir cupinzeiros e formigueiros.

Os olhos são pequenos, e a visão é limitada. O animal depende do olfato para achar presas e se orientar. Os filhotes nascem com escamas macias, que endurecem em cerca de dois dias, e viajam sobre a base da cauda ou no dorso da mãe durante as primeiras semanas.

Medidas registradas para a espécie
Comprimento da cabeça e do corpocerca de 40 a 58 cm
Caudacerca de 25 a 38 cm
Peso de adultosaproximadamente 2 a 7 kg
Peso ao nascercerca de 93 g
Gestaçãode cerca de 318 a 372 dias
Altitude máxima registradaaté aproximadamente 3.000 m

Habitat

Ocupa florestas tropicais e subtropicais, matas de bambu, florestas de folhosas e de coníferas, calcários e campos, além de lavouras próximas a bordas de mata. Cava tocas profundas, que usa para dormir e para se abrigar do frio no inverno, geralmente perto de cupinzeiros que fornecem alimento.

A espécie prefere encostas e terras de baixa altitude com solo escavável, justamente as áreas mais acessíveis a caçadores e a estradas. Em estudo no leste da China, a área potencial de ocorrência encolheu mais de 50% entre os anos 1970 e os anos 2000, e os remanescentes ficaram concentrados em montanhas como as de Wuyi.

Distribuição geográfica

A distribuição vai do sul do Nepal e do nordeste da Índia, passando por Butão, Bangladesh, Mianmar e o norte da Indochina, até o sul da China, incluindo a ilha de Hainan. Há ainda populações em Taiwan e Hong Kong, que não constam entre os países listados por este site.

Os registros mais recentes são esparsos, e a espécie já foi extinta localmente em muitas áreas. Na China, o declínio foi particularmente acentuado nas províncias do leste, onde levantamentos apontaram quedas de até 80% na província de Fujian desde a década de 1960 e de cerca de 90% em um condado de Jiangxi entre 1964 e 1982.

Ocorrência registrada em: China, Índia, Nepal, Butão, Bangladesh, Mianmar, Laos, Vietnã e Tailândia.

Alimentação

A dieta é composta quase exclusivamente por formigas e cupins. O animal abre os ninhos com as garras, estende a língua pegajosa e recolhe os insetos, que são engolidos inteiros, já que o animal não tem dentes.

Um único pangolim pode consumir um grande número de insetos por noite, o que o torna um controlador natural de cupins e formigas. Esse hábito é também um ponto fraco: animais retirados da natureza raramente sobrevivem em cativeiro, porque a dieta de insetos é difícil de reproduzir.

Comportamento

É solitário e noturno. Passa o dia em tocas, às vezes bem fundas, e sai ao entardecer para procurar cupinzeiros. Caminha com as patas dianteiras elevadas para proteger as garras e é capaz de se erguer nas patas traseiras para cheirar o ar.

Quando se sente ameaçado, enrola o corpo em bola e usa as escamas como armadura. Além disso, libera uma secreção fétida das glândulas próximas ao ânus. Essas defesas funcionam contra felinos e outros predadores naturais, mas facilitam a captura por humanos, porque o animal fica imóvel e se deixa levar.

Reprodução

A reprodução é lenta. A fêmea tem em geral um único filhote por gestação, que dura quase um ano, e cuida dele sozinha durante meses, carregando-o no dorso ou na cauda. O acasalamento ocorre principalmente na primavera, entre abril e maio.

Por ter poucos filhotes e longos intervalos entre gestações, a espécie se recupera mal da caça. Cada fêmea adulta morta representa a perda de várias gerações futuras, e populações pequenas podem desaparecer mesmo sem destruição do habitat.

População estimada e tendência

Sem estimativa populacional confiável. Não há levantamento de abrangência suficiente para indicar um número total de indivíduos desta espécie, e qualquer valor apresentado como definitivo seria impreciso.

Não existe estimativa confiável do tamanho total da população. A categoria criticamente em perigo, atribuída em 2014, baseia-se em uma redução suspeita de mais de 80% em três gerações (21 anos), com projeções de declínio contínuo, inferida de dados de captura, comércio e perda de áreas de ocorrência. Os levantamentos publicados cobrem regiões específicas, sobretudo da China, e não permitem somar um total mundial.

Tendência populacional: Decrescente — as estimativas indicam redução contínua no número de indivíduos.

Estado de conservação

Na avaliação global de risco de extinção, a espécie está classificada como Criticamente em perigo (CR). Risco extremamente alto de extinção na natureza em futuro imediato.

Ver a definição completa da categoria criticamente em perigo e as demais espécies nessa situação.

Principais ameaças

  • Caça e abate ilegal

    A caça para consumo de carne e para uso das escamas em medicina tradicional é a principal causa do declínio. O preço crescente dos produtos aumenta o incentivo para capturar até os últimos animais de uma região.

  • Tráfico de animais silvestres

    Rotas de comércio ilegal transportam animais vivos e escamas pela Ásia. Uma apreensão em Hong Kong, em 2014, envolveu escamas equivalentes a quase 8.000 pangolins.

  • Perda e conversão de habitat

    A conversão de florestas e campos em lavouras, plantações e áreas urbanas elimina tocas e cupinzeiros e aproxima a espécie de estradas e caçadores.

  • Fragmentação de habitat

    Em paisagens divididas por estradas e plantios, populações pequenas ficam isoladas e, uma vez reduzidas pela caça, não são repostas por imigração de outros locais.

  • Conflito com atividades humanas

    Animais que entram em lavouras ou áreas habitadas costumam ser capturados ou mortos, em geral para venda, e raramente são soltos de volta.

Importância ecológica

O pangolim-chinês controla as populações de cupins e formigas, contribuindo para o equilíbrio de florestas tropicais. Suas tocas profundas também revolvem o solo e podem servir de abrigo a outros pequenos animais depois de abandonadas.

A espécie é também um dos símbolos do impacto do comércio ilegal de animais silvestres. Os pangolins estão entre os mamíferos mais traficados do mundo, e a situação do pangolim-chinês mostra como a demanda por carne e por escamas pode levar uma espécie ao limite em poucas décadas, mesmo sem perda total do habitat.

Projetos de conservação

Plano de ação global para a conservação dos pangolins · Grupo de Especialistas em Pangolins da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN
Publicado em 2014, o plano propõe monitorar populações, reduzir a demanda por carne e escamas, aprimorar a fiscalização e usar análises genéticas para rastrear a origem de apreensões.
Áreas comunitárias de conservação do pangolim-chinês · Fundação China de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Verde
A partir de 2017, a fundação criou três áreas comunitárias de conservação nas províncias de Hunan, Guangxi e Jiangxi, que combinam proteção local e participação de moradores.

Ver o panorama dos projetos de conservação.

Como a espécie é protegida

A espécie está no Anexo I da convenção internacional sobre o comércio de fauna e flora ameaçadas desde 2016, o que proíbe o comércio internacional com fins comerciais de animais selvagens e de suas partes. Em 2020, a China elevou ao nível máximo de proteção todas as espécies de pangolim em seu território.

A aplicação da lei continua sendo o maior desafio. A conservação depende de reduzir a demanda por escamas e carne, de coibir rotas de tráfico e de proteger áreas florestais com populações remanescentes, onde monitoramento e ações junto às comunidades locais são críticos.

Curiosidades

  • As escamas são feitas de queratina, a mesma substância das unhas e dos cabelos humanos.
  • Os pangolins não têm dentes e dependem da língua longa e pegajosa para capturar as presas.
  • Os filhotes são carregados sobre a cauda ou o dorso da mãe e nascem com escamas macias.
  • Em uma pesquisa de 2016 com 1.892 chineses, mais de 80% apoiaram a proteção da espécie.

Fontes consultadas

  1. Chinese pangolin. Wikipedia. Consultar
  2. Historical data for conservation: reconstructing range changes of Chinese pangolin (Manis pentadactyla) in eastern China (1970-2016). Proceedings of the Royal Society B (Yang et al.), 2018. Consultar
  3. Chinese pangolin (Manis pentadactyla). IUCN SSC Pangolin Specialist Group, 2026. Consultar

Divergências entre avaliações, quando existem, estão indicadas no próprio texto. Consulte a metodologia para entender como as fontes são hierarquizadas.

Última revisão desta ficha: 20 de outubro de 2026

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