Pangolim-chinês
Manis pentadactyla Linnaeus, 1758
Mamífero coberto de escamas e especializado em formigas e cupins, que perdeu mais de 80% da população em duas décadas por causa da caça e do comércio de carne e escamas.
- CRCriticamente em perigo
- Mamíferos
- Também chamada de pangolim-de-formosa e tatu-escamoso-chinês
Descrição
O pangolim-chinês é um dos poucos mamíferos cobertos por escamas rígidas de queratina, a mesma substância das unhas humanas. Quando ameaçado, enrola-se em bola, estratégia eficaz contra predadores naturais, mas inútil diante de caçadores, que simplesmente recolhem o animal enrolado.
A espécie habita florestas e campos do sul e sudeste da Ásia, do Nepal ao sul da China, e é noturna, solitária e muito difícil de observar. Por isso, estimar quantos indivíduos existem é tarefa quase impossível, e os especialistas recorrem a registros de captura, apreensões e relatos de moradores para avaliar a tendência.
O quadro é grave. A lista vermelha global o classifica como criticamente em perigo, com redução de mais de 80% da população em três gerações, cerca de 21 anos, causada principalmente por caça para consumo de carne e uso das escamas em práticas tradicionais. Em regiões inteiras da China, onde era comum, o animal praticamente desapareceu.
Características físicas
O corpo, a cauda e o dorso são cobertos por escamas sobrepostas, castanho-escuras, enquanto o ventre, a face e as patas ficam com pelos esparsos. A cabeça é pequena e cônica, a língua é longa e pegajosa, e não há dentes. As patas dianteiras têm garras fortes, usadas para abrir cupinzeiros e formigueiros.
Os olhos são pequenos, e a visão é limitada. O animal depende do olfato para achar presas e se orientar. Os filhotes nascem com escamas macias, que endurecem em cerca de dois dias, e viajam sobre a base da cauda ou no dorso da mãe durante as primeiras semanas.
| Comprimento da cabeça e do corpo | cerca de 40 a 58 cm |
|---|---|
| Cauda | cerca de 25 a 38 cm |
| Peso de adultos | aproximadamente 2 a 7 kg |
| Peso ao nascer | cerca de 93 g |
| Gestação | de cerca de 318 a 372 dias |
| Altitude máxima registrada | até aproximadamente 3.000 m |
Habitat
Ocupa florestas tropicais e subtropicais, matas de bambu, florestas de folhosas e de coníferas, calcários e campos, além de lavouras próximas a bordas de mata. Cava tocas profundas, que usa para dormir e para se abrigar do frio no inverno, geralmente perto de cupinzeiros que fornecem alimento.
A espécie prefere encostas e terras de baixa altitude com solo escavável, justamente as áreas mais acessíveis a caçadores e a estradas. Em estudo no leste da China, a área potencial de ocorrência encolheu mais de 50% entre os anos 1970 e os anos 2000, e os remanescentes ficaram concentrados em montanhas como as de Wuyi.
Distribuição geográfica
A distribuição vai do sul do Nepal e do nordeste da Índia, passando por Butão, Bangladesh, Mianmar e o norte da Indochina, até o sul da China, incluindo a ilha de Hainan. Há ainda populações em Taiwan e Hong Kong, que não constam entre os países listados por este site.
Os registros mais recentes são esparsos, e a espécie já foi extinta localmente em muitas áreas. Na China, o declínio foi particularmente acentuado nas províncias do leste, onde levantamentos apontaram quedas de até 80% na província de Fujian desde a década de 1960 e de cerca de 90% em um condado de Jiangxi entre 1964 e 1982.
Ocorrência registrada em: China, Índia, Nepal, Butão, Bangladesh, Mianmar, Laos, Vietnã e Tailândia.
Alimentação
A dieta é composta quase exclusivamente por formigas e cupins. O animal abre os ninhos com as garras, estende a língua pegajosa e recolhe os insetos, que são engolidos inteiros, já que o animal não tem dentes.
Um único pangolim pode consumir um grande número de insetos por noite, o que o torna um controlador natural de cupins e formigas. Esse hábito é também um ponto fraco: animais retirados da natureza raramente sobrevivem em cativeiro, porque a dieta de insetos é difícil de reproduzir.
Comportamento
É solitário e noturno. Passa o dia em tocas, às vezes bem fundas, e sai ao entardecer para procurar cupinzeiros. Caminha com as patas dianteiras elevadas para proteger as garras e é capaz de se erguer nas patas traseiras para cheirar o ar.
Quando se sente ameaçado, enrola o corpo em bola e usa as escamas como armadura. Além disso, libera uma secreção fétida das glândulas próximas ao ânus. Essas defesas funcionam contra felinos e outros predadores naturais, mas facilitam a captura por humanos, porque o animal fica imóvel e se deixa levar.
Reprodução
A reprodução é lenta. A fêmea tem em geral um único filhote por gestação, que dura quase um ano, e cuida dele sozinha durante meses, carregando-o no dorso ou na cauda. O acasalamento ocorre principalmente na primavera, entre abril e maio.
Por ter poucos filhotes e longos intervalos entre gestações, a espécie se recupera mal da caça. Cada fêmea adulta morta representa a perda de várias gerações futuras, e populações pequenas podem desaparecer mesmo sem destruição do habitat.
População estimada e tendência
Sem estimativa populacional confiável. Não há levantamento de abrangência suficiente para indicar um número total de indivíduos desta espécie, e qualquer valor apresentado como definitivo seria impreciso.
Não existe estimativa confiável do tamanho total da população. A categoria criticamente em perigo, atribuída em 2014, baseia-se em uma redução suspeita de mais de 80% em três gerações (21 anos), com projeções de declínio contínuo, inferida de dados de captura, comércio e perda de áreas de ocorrência. Os levantamentos publicados cobrem regiões específicas, sobretudo da China, e não permitem somar um total mundial.
Tendência populacional: Decrescente — as estimativas indicam redução contínua no número de indivíduos.
Estado de conservação
Na avaliação global de risco de extinção, a espécie está classificada como Criticamente em perigo (CR). Risco extremamente alto de extinção na natureza em futuro imediato.
Ver a definição completa da categoria criticamente em perigo e as demais espécies nessa situação.
Principais ameaças
Caça e abate ilegal
A caça para consumo de carne e para uso das escamas em medicina tradicional é a principal causa do declínio. O preço crescente dos produtos aumenta o incentivo para capturar até os últimos animais de uma região.
Tráfico de animais silvestres
Rotas de comércio ilegal transportam animais vivos e escamas pela Ásia. Uma apreensão em Hong Kong, em 2014, envolveu escamas equivalentes a quase 8.000 pangolins.
Perda e conversão de habitat
A conversão de florestas e campos em lavouras, plantações e áreas urbanas elimina tocas e cupinzeiros e aproxima a espécie de estradas e caçadores.
Fragmentação de habitat
Em paisagens divididas por estradas e plantios, populações pequenas ficam isoladas e, uma vez reduzidas pela caça, não são repostas por imigração de outros locais.
Conflito com atividades humanas
Animais que entram em lavouras ou áreas habitadas costumam ser capturados ou mortos, em geral para venda, e raramente são soltos de volta.
Importância ecológica
O pangolim-chinês controla as populações de cupins e formigas, contribuindo para o equilíbrio de florestas tropicais. Suas tocas profundas também revolvem o solo e podem servir de abrigo a outros pequenos animais depois de abandonadas.
A espécie é também um dos símbolos do impacto do comércio ilegal de animais silvestres. Os pangolins estão entre os mamíferos mais traficados do mundo, e a situação do pangolim-chinês mostra como a demanda por carne e por escamas pode levar uma espécie ao limite em poucas décadas, mesmo sem perda total do habitat.
Projetos de conservação
- Plano de ação global para a conservação dos pangolins · Grupo de Especialistas em Pangolins da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN
- Publicado em 2014, o plano propõe monitorar populações, reduzir a demanda por carne e escamas, aprimorar a fiscalização e usar análises genéticas para rastrear a origem de apreensões.
- Áreas comunitárias de conservação do pangolim-chinês · Fundação China de Conservação da Biodiversidade e Desenvolvimento Verde
- A partir de 2017, a fundação criou três áreas comunitárias de conservação nas províncias de Hunan, Guangxi e Jiangxi, que combinam proteção local e participação de moradores.
Como a espécie é protegida
A espécie está no Anexo I da convenção internacional sobre o comércio de fauna e flora ameaçadas desde 2016, o que proíbe o comércio internacional com fins comerciais de animais selvagens e de suas partes. Em 2020, a China elevou ao nível máximo de proteção todas as espécies de pangolim em seu território.
A aplicação da lei continua sendo o maior desafio. A conservação depende de reduzir a demanda por escamas e carne, de coibir rotas de tráfico e de proteger áreas florestais com populações remanescentes, onde monitoramento e ações junto às comunidades locais são críticos.
Curiosidades
- As escamas são feitas de queratina, a mesma substância das unhas e dos cabelos humanos.
- Os pangolins não têm dentes e dependem da língua longa e pegajosa para capturar as presas.
- Os filhotes são carregados sobre a cauda ou o dorso da mãe e nascem com escamas macias.
- Em uma pesquisa de 2016 com 1.892 chineses, mais de 80% apoiaram a proteção da espécie.
Fontes consultadas
- Chinese pangolin. Wikipedia. Consultar
- Historical data for conservation: reconstructing range changes of Chinese pangolin (Manis pentadactyla) in eastern China (1970-2016). Proceedings of the Royal Society B (Yang et al.), 2018. Consultar
- Chinese pangolin (Manis pentadactyla). IUCN SSC Pangolin Specialist Group, 2026. Consultar
Divergências entre avaliações, quando existem, estão indicadas no próprio texto. Consulte a metodologia para entender como as fontes são hierarquizadas.
Última revisão desta ficha: 20 de outubro de 2026
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