Tigre
Panthera tigris (Linnaeus, 1758)
O maior felino do mundo, que perdeu mais de 90% de sua distribuição histórica e apresenta sinais recentes de recuperação em alguns países.
- ENEm perigo
- Mamíferos
- Também chamada de tigre-de-bengala e tigre-siberiano
Descrição
O tigre é o maior felino vivo e ocupava, há pouco mais de um século, uma área que ia da Turquia ao extremo leste da Rússia e da Sibéria à Indonésia. Hoje sobrevive em menos de 10% dessa distribuição, em populações fragmentadas espalhadas por poucos países asiáticos.
Três subespécies desapareceram no século XX. Outra sobrevive apenas em cativeiro. As populações remanescentes concentram-se sobretudo na Índia, com núcleos importantes na Rússia, na Tailândia, no Nepal, no Butão e na Indonésia.
O quadro geral, porém, mudou de direção na última década. Depois de atingir um mínimo histórico estimado em cerca de 3.200 indivíduos por volta de 2010, a população selvagem voltou a crescer em vários países, resultado de proteção intensiva de reservas, combate à caça e recuperação de populações de presas. A espécie continua em perigo, mas com tendência de crescimento — combinação incomum entre grandes carnívoros.
Características físicas
Felino de grande porte, com pelagem alaranjada marcada por listras verticais escuras e ventre branco. O padrão de listras é único em cada indivíduo, como uma impressão digital, e é usado em armadilhas fotográficas para identificação individual em censos populacionais.
O tamanho varia bastante entre subespécies: as populações do norte, em climas frios, são consideravelmente maiores e têm pelagem mais densa e clara que as do sudeste asiático. A musculatura dos membros anteriores é poderosa, e as garras retráteis alcançam vários centímetros. Ao contrário da maioria dos felinos, o tigre é um nadador exímio e entra na água com frequência.
| Comprimento | 1,8 a 2,8 m sem a cauda, conforme a subespécie |
|---|---|
| Peso | de cerca de 100 kg nas populações menores a mais de 300 kg nas maiores |
| Território | de dezenas a centenas de quilômetros quadrados |
| Gestação | cerca de 103 dias |
| Longevidade | cerca de 15 anos na natureza |
Habitat
Ocupa uma variedade notável de ambientes: florestas tropicais úmidas, florestas de monção, manguezais, savanas arbustivas, florestas temperadas e florestas boreais de coníferas no extremo leste russo.
O requisito comum não é o tipo de vegetação, e sim a combinação de três elementos: cobertura densa para caça de emboscada, disponibilidade de água e abundância de grandes herbívoros. Onde as presas foram eliminadas por caça, o tigre desaparece mesmo com a floresta de pé — um dos motivos pelos quais a proteção do habitat, isoladamente, não basta.
Distribuição geográfica
A distribuição histórica abrangia grande parte da Ásia, da Turquia e do Cáucaso ao extremo leste da Rússia, incluindo a Ásia central, o subcontinente indiano, a China e as ilhas de Sumatra, Java e Bali.
A distribuição atual é residual e fragmentada. A Índia concentra a maior parte da população mundial. Há núcleos relevantes na Rússia, no Nepal, no Butão, no Bangladesh, na Tailândia, na Malásia e na Indonésia. A espécie foi extinta no Camboja, no Vietnã e no Laos em tempos recentes, e as populações de Java e Bali desapareceram no século XX. Um projeto de reintrodução vem sendo conduzido no Cazaquistão, em área onde a espécie ocorria historicamente.
Ocorrência registrada em: Índia, Rússia, Nepal, Butão, Bangladesh, Tailândia, Mianmar, Malásia, Indonésia, China, Laos, Vietnã e Camboja.
Alimentação
Alimenta-se principalmente de grandes ungulados: cervos, javalis, búfalos e antílopes, conforme a região. Um adulto precisa de vários quilos de carne por dia em média, o que exige populações abundantes de presas de grande porte.
Caça por emboscada, aproximando-se em silêncio e atacando em investida curta, e mata por mordida no pescoço. O sucesso de caça é baixo, com apenas uma pequena fração das tentativas resultando em captura, o que torna a abundância de presas um fator crítico. A caça de subsistência de cervos e javalis por comunidades humanas é, por isso, uma ameaça tão séria quanto a caça ao próprio tigre.
Comportamento
É solitário e territorial. Machos ocupam territórios amplos que se sobrepõem aos de várias fêmeas, e as marcações com urina, arranhões em troncos e vocalizações delimitam essas áreas.
Tem atividade predominantemente noturna e crepuscular, especialmente em áreas com presença humana. Diferentemente de quase todos os outros felinos, gosta de água e nada com facilidade, atravessando rios largos e caçando em manguezais alagados. Filhotes permanecem com a mãe por cerca de dois anos, período em que aprendem a caçar antes de dispersar em busca de território próprio.
Reprodução
A gestação dura cerca de 103 dias e resulta em uma ninhada de dois a quatro filhotes, criados exclusivamente pela fêmea em um abrigo protegido.
Os filhotes nascem cegos e dependentes, começam a acompanhar a mãe em caçadas por volta dos seis meses e tornam-se independentes entre 18 e 24 meses. A mortalidade juvenil é alta. A fêmea reproduz-se a cada dois ou três anos, e a maturidade sexual chega por volta dos três a quatro anos. Machos que assumem o território de outro podem matar filhotes existentes, comportamento que acelera o retorno das fêmeas ao ciclo reprodutivo.
População estimada e tendência
Estimativa: estimada em torno de 5.500 indivíduos em vida livre, segundo levantamentos recentes de países com populações de tigres
A estimativa agrega censos nacionais realizados com metodologias distintas, sobretudo armadilhas fotográficas com identificação individual pelo padrão de listras, e apresenta margem de incerteza. O dado mais significativo é a trajetória: a população atingiu um mínimo estimado em cerca de 3.200 indivíduos por volta de 2010 e voltou a crescer desde então em vários países, com destaque para Índia, Nepal e Butão. Algumas populações do sudeste asiático, no entanto, continuam em declínio ou já desapareceram.
Tendência populacional: Crescente — as estimativas indicam aumento no número de indivíduos.
Estado de conservação
Na avaliação global de risco de extinção, a espécie está classificada como Em perigo (EN). Risco muito alto de extinção na natureza a médio prazo.
Ver a definição completa da categoria em perigo e as demais espécies nessa situação.
Principais ameaças
Tráfico de animais silvestres
A caça para abastecer o comércio ilegal de peles, ossos e outras partes usadas em preparados tradicionais é a ameaça direta mais grave e sustenta redes criminosas transnacionais.
Perda e conversão de habitat
A conversão de florestas para agricultura, plantações e infraestrutura reduziu a área disponível a menos de dez por cento da distribuição histórica.
Caça e abate ilegal
A caça de cervos, javalis e outros ungulados por comunidades humanas esvazia as florestas de presas, tornando-as inabitáveis para tigres mesmo quando a vegetação permanece intacta.
Conflito com atividades humanas
Ataques a rebanhos e, ocasionalmente, a pessoas em áreas de contato geram retaliação e dificultam a aceitação da presença da espécie por comunidades vizinhas às reservas.
Fragmentação de habitat
Populações isoladas em reservas cercadas por áreas ocupadas perdem variabilidade genética e não recebem indivíduos de outras áreas, o que compromete a viabilidade a longo prazo.
Atropelamentos e barreiras de infraestrutura
Estradas, ferrovias e canais que cortam áreas de floresta causam mortalidade direta e bloqueiam corredores de deslocamento entre populações.
Importância ecológica
Como predador de topo, regula populações de grandes herbívoros e influencia a pressão de pastejo sobre a vegetação, com efeitos que se propagam por toda a estrutura da floresta.
É uma espécie-guarda-chuva de referência: as reservas criadas para proteger tigres na Índia abrigam populações de centenas de outras espécies e protegem bacias hidrográficas que abastecem milhões de pessoas. Estudos sobre essas reservas quantificaram benefícios de retenção de água, estoque de carbono e regulação climática local que superam largamente o custo de manutenção das áreas.
Projetos de conservação
- Projeto Tigre da Índia · Governo da Índia
- Programa iniciado na década de 1970 que criou uma rede de reservas específicas para a espécie, com proteção intensiva, realocação voluntária de comunidades e censos nacionais periódicos por armadilhas fotográficas.
- Meta internacional de duplicação da população · Países com populações de tigres, em iniciativa conjunta
- Compromisso assumido em 2010 pelos treze países de ocorrência para dobrar o número de tigres selvagens, com metas nacionais, protocolos comuns de monitoramento e cooperação no combate ao tráfico.
- Corredores ecológicos entre reservas · Órgãos ambientais nacionais e organizações de conservação
- Manutenção e restauração de faixas de habitat que conectam populações isoladas, com passagens de fauna em estradas e ferrovias que cortam áreas de ocorrência.
Como a espécie é protegida
A espécie está no Anexo I da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção, que proíbe o comércio internacional, e é protegida por legislação específica em todos os países onde ocorre.
A proteção efetiva depende de vigilância intensiva nas reservas, com equipes de campo permanentes, e do combate a redes de tráfico que operam entre países. A recuperação observada em Índia, Nepal e Butão demonstra que a combinação de proteção rigorosa, recuperação de populações de presas e programas de compensação por perdas de rebanho produz resultados mensuráveis em prazos relativamente curtos.
Curiosidades
- O padrão de listras é único em cada indivíduo e permite identificação por fotografia, base dos censos nacionais realizados com armadilhas fotográficas.
- Ao contrário da maioria dos felinos, nada com facilidade e atravessa rios largos, caçando inclusive em manguezais alagados.
- As listras não estão apenas nos pelos: a pele do animal também é listrada.
- Três subespécies desapareceram no século XX, e a população mundial atingiu seu mínimo por volta de 2010, antes de voltar a crescer.
- As reservas criadas para proteger tigres na Índia também protegem bacias hidrográficas que abastecem milhões de pessoas.
Fontes consultadas
- Panthera tigris — Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 2022. Consultar
- Apêndices da Convenção CITES. CITES, 2023. Consultar
- Tigers. World Wide Fund for Nature, 2024. Consultar
Divergências entre avaliações, quando existem, estão indicadas no próprio texto. Consulte a metodologia para entender como as fontes são hierarquizadas.
Última revisão desta ficha: 14 de agosto de 2026
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