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Biblioteca de consulta sobre espécies ameaçadas de extinção

Base revisada em 18 de agosto de 2026

Taxfluxo Espécies ameaçadas

Borboleta-monarca

Danaus plexippus plexippus (Linnaeus, 1758)

População migratória norte-americana que percorre milhares de quilômetros entre o Canadá e o México e sofreu declínio acentuado nas últimas décadas.

Descrição

A borboleta-monarca é conhecida por uma das migrações mais notáveis do mundo animal. A população migratória da América do Norte percorre até quatro mil quilômetros entre áreas de reprodução no Canadá e nos Estados Unidos e sítios de hibernação em florestas de altitude no centro do México, onde milhões de indivíduos se aglomeram nos mesmos bosques ano após ano.

O detalhe mais surpreendente é que nenhuma borboleta faz a viagem completa de ida e volta. O ciclo envolve várias gerações: as que partem do México na primavera se reproduzem e morrem pelo caminho, e são seus descendentes, algumas gerações depois, que retornam aos mesmos bosques que os bisavós ocuparam.

O que está ameaçado não é a espécie como um todo — ela ocorre também em outras regiões, inclusive na América do Sul —, mas especificamente essa população migratória, que sofreu declínio acentuado. A avaliação de risco foi objeto de revisão: classificada em perigo em 2022, foi reavaliada como vulnerável em atualização posterior, mudança que decorreu de ajustes metodológicos e não de recuperação.

Características físicas

Borboleta de porte médio a grande, com asas alaranjadas atravessadas por nervuras pretas bem marcadas e bordas escuras pontilhadas de branco.

Essa coloração é um aviso: as lagartas acumulam substâncias tóxicas obtidas das plantas de que se alimentam, e essas substâncias permanecem no corpo do adulto, tornando-o desagradável e nocivo para aves. Machos apresentam uma mancha escura em cada asa posterior, ausente nas fêmeas, associada a glândulas odoríferas. As lagartas têm listras transversais brancas, pretas e amarelas e dois pares de filamentos carnosos.

Medidas registradas para a espécie
Envergaduracerca de 9 a 10 cm
Distância migratóriaaté cerca de 4.000 km em cada sentido
Longevidadealgumas semanas nas gerações de verão; até 8 meses na geração migratória

Habitat

Depende de dois tipos muito diferentes de ambiente. Nas áreas de reprodução, ocupa campos, pradarias, margens de estrada e áreas abertas onde crescem plantas do gênero conhecido como algodoeiro-de-seda, únicas em que as lagartas conseguem se desenvolver.

Nos sítios de hibernação, concentra-se em bosques de uma conífera específica em serras de altitude do centro do México, onde as condições de temperatura e umidade permitem sobreviver ao inverno em estado de baixa atividade. Esses bosques cobrem área muito reduzida, e a integridade do dossel é essencial: clareiras abertas por corte alteram o microclima e expõem as borboletas ao frio e à chuva.

Distribuição geográfica

A população migratória oriental reproduz-se no leste e centro dos Estados Unidos e no sul do Canadá e hiberna em serras do centro do México. A população migratória ocidental reproduz-se a oeste das Montanhas Rochosas e hiberna ao longo da costa da Califórnia.

A espécie como um todo tem distribuição bem mais ampla, com populações não migratórias em várias regiões das Américas, incluindo o Caribe e a América do Sul, além de populações estabelecidas em ilhas do Pacífico, na Austrália e na península Ibérica. A avaliação de risco aplica-se especificamente à subespécie migratória da América do Norte.

Ocorrência registrada em: Estados Unidos, Canadá e México.

Alimentação

As lagartas alimentam-se exclusivamente de plantas do gênero Asclepias, conhecidas como algodoeiros-de-seda, que contêm compostos tóxicos para a maioria dos animais. A lagarta acumula essas substâncias sem sofrer efeitos, e elas permanecem no corpo do adulto como defesa química.

Os adultos alimentam-se do néctar de grande variedade de flores, recurso essencial durante a migração para acumular reservas de gordura. A disponibilidade de flores ao longo das rotas migratórias, especialmente no outono, é um fator determinante para o sucesso da viagem até os sítios de hibernação.

Comportamento

A migração é o comportamento definidor. No outono, os adultos da última geração do ano não se reproduzem imediatamente: entram em estado de suspensão reprodutiva, acumulam gordura e voam milhares de quilômetros até os sítios de hibernação, onde permanecem agrupados em densas aglomerações nos troncos e galhos.

Na primavera, reativam a reprodução, iniciam a viagem de volta ao norte e morrem no caminho, após depositar ovos. As gerações seguintes continuam o avanço rumo ao norte. A orientação combina a posição do sol, corrigida por um relógio circadiano localizado nas antenas, e sensibilidade ao campo magnético terrestre.

Reprodução

As fêmeas depositam ovos individualmente na face inferior das folhas de algodoeiros-de-seda. A lagarta eclode em poucos dias, passa por cinco estágios de crescimento e forma uma crisálida verde com pontos dourados, da qual o adulto emerge cerca de duas semanas depois.

O ciclo completo dura cerca de um mês nas gerações de verão, que vivem poucas semanas. A geração migratória é biologicamente distinta: vive até oito meses, com a reprodução suspensa durante o outono e o inverno, e só se reproduz na primavera seguinte. Essa alternância entre gerações curtas e uma geração longeva é o que torna possível um ciclo migratório multigeracional.

População estimada e tendência

Sem estimativa populacional confiável. Não há levantamento de abrangência suficiente para indicar um número total de indivíduos desta espécie, e qualquer valor apresentado como definitivo seria impreciso.

A população migratória não é contada em número de indivíduos, e sim pela área ocupada pelas aglomerações de hibernação: hectares de floresta cobertos por borboletas no México, no caso da população oriental, e contagens em sítios costeiros no caso da ocidental. Ambas as séries mostram declínio acentuado em relação às décadas de 1990 e 2000, com forte variação entre anos. A avaliação de risco foi revista de em perigo, em 2022, para vulnerável em atualização posterior — mudança decorrente de revisão metodológica dos critérios aplicados, e não de recuperação populacional.

Tendência populacional: Decrescente — as estimativas indicam redução contínua no número de indivíduos.

Estado de conservação

Na avaliação global de risco de extinção, a espécie está classificada como Vulnerável (VU). Risco alto de extinção na natureza no longo prazo.

Ver a definição completa da categoria vulnerável e as demais espécies nessa situação.

Principais ameaças

  • Perda e conversão de habitat

    A eliminação de algodoeiros-de-seda em áreas agrícolas, por herbicidas e pelo cultivo intensivo, removeu a única planta em que as lagartas conseguem se desenvolver de vastas extensões das áreas de reprodução.

  • Poluição e resíduos

    O uso de inseticidas de amplo espectro atinge lagartas e adultos, e herbicidas eliminam tanto as plantas hospedeiras quanto as fontes de néctar ao longo das rotas migratórias.

  • Mudanças climáticas

    Eventos climáticos extremos nos sítios de hibernação causam mortalidade em massa, e alterações de temperatura afetam o calendário da migração e o sincronismo com a floração das plantas.

  • Fragmentação de habitat

    A rota migratória depende de uma sequência contínua de áreas com néctar e abrigo; falhas nessa sequência aumentam a mortalidade durante a viagem.

  • Incêndios e queimadas

    O corte ilegal e os incêndios nos bosques de altitude do centro do México reduzem a área de hibernação e alteram o microclima que protege as aglomerações do frio.

Importância ecológica

Como polinizadora, visita grande variedade de flores ao longo de rotas que atravessam um continente, contribuindo para a reprodução de plantas em campos, pradarias e áreas agrícolas.

Sua migração conecta ecossistemas separados por milhares de quilômetros, e o fenômeno em si é considerado um patrimônio biológico distinto — o que está em risco não é apenas um conjunto de indivíduos, mas um comportamento migratório que, uma vez perdido, dificilmente se reconstitui. A espécie tornou-se também símbolo da conservação de polinizadores e motor de programas de restauração de plantas nativas em jardins, margens de estrada e áreas urbanas.

Projetos de conservação

Reserva da Biosfera da Borboleta Monarca · Governo do México
Área protegida que abrange os principais sítios de hibernação da população oriental, com combate ao corte ilegal, monitoramento anual da área ocupada pelas aglomerações e envolvimento de comunidades locais no turismo regulado.
Programas de restauração de plantas hospedeiras · Órgãos ambientais e organizações civis dos Estados Unidos e do Canadá
Plantio de algodoeiros-de-seda e de plantas nectaríferas em margens de estrada, áreas públicas, propriedades rurais e jardins ao longo do corredor migratório, com participação ampla de voluntários.

Ver o panorama dos projetos de conservação.

Como a espécie é protegida

A proteção depende de ação coordenada entre três países que compartilham o corredor migratório. No México, os sítios de hibernação estão dentro de uma reserva da biosfera reconhecida como patrimônio mundial. Nos Estados Unidos e no Canadá, o foco está na restauração de plantas hospedeiras e nectaríferas ao longo das rotas.

A espécie não figura nos anexos da convenção que regula o comércio internacional de espécies ameaçadas, porque a ameaça não vem do comércio. O caso ilustra uma dificuldade específica: proteger um fenômeno migratório exige atuar em milhões de hectares de paisagem produtiva, e não apenas em áreas protegidas delimitadas.

Curiosidades

  • Nenhuma borboleta completa a viagem de ida e volta: o ciclo migratório envolve várias gerações, e as que retornam ao México são descendentes distantes das que partiram.
  • A geração migratória vive até oito meses, enquanto as gerações de verão vivem apenas algumas semanas.
  • As lagartas acumulam substâncias tóxicas das plantas de que se alimentam, e essas substâncias protegem também o adulto contra predadores.
  • A orientação durante a migração combina a posição do sol, corrigida por um relógio interno localizado nas antenas, com sensibilidade ao campo magnético terrestre.
  • A população não é medida em número de indivíduos, e sim em hectares de floresta cobertos pelas aglomerações de hibernação.

Fontes consultadas

  1. Danaus plexippus plexippus — Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 2024. Consultar
  2. Reserva de la Biosfera Mariposa Monarca. UNESCO World Heritage Centre, 2024. Consultar
  3. Monarch butterfly conservation. U.S. Fish and Wildlife Service, 2024. Consultar

Divergências entre avaliações, quando existem, estão indicadas no próprio texto. Consulte a metodologia para entender como as fontes são hierarquizadas.

Última revisão desta ficha: 12 de agosto de 2026

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